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RD 350

As famosas Yamaha RD 350 chegaram ao Brasil entre 1973 a 1976. Depois veio aquela ridícula lei do similar nacional, quando uma CB900 Bol D’or passou a ser considerada igual uma RD50 que a Yamaha fabricava em Guarulhos e, portanto, a importação de motos foi proibida. As RD 350 eram motocicletas conhecidas como viúvas negras, por seu desempenho nervoso que fazia com que seus pilotos, ao torcerem o cabo, se colocassem em risco. Sua maior rival era a , digamos, paquidérmica CB750K, de quatro cilindros, pois somente estas conseguiam se equiparar naqueles primeiros 600/1000 metros de arrancada.

Uma característica da RD era o motor manso e fumacento em rotações baixas. A emoção começava quando o motor alcançava a faixa dos 5.000 giros, quando a cavalaria aparecia e levantava involuntariamente a roda dianteira. Ali morava o perigo, a moto saltava à frente como se outro motor tivesse se incorporado.

Uma moça que certo dia estava na minha garupa sentiu esta característica na pele.

Saindo da Ilha Porchat, em São Vicente, Baixada Santista, SP, entrei na Av. Manoel da Nobrega (tapetão) em terceira marcha na faixa dos 3 mil giros e continuei acelerando até que o motor chegou aos 5 mil giros e a moto deu o tal salto para frente. Neste momento senti dois objetos passarem rápida e simultaneamente muito próximos das minhas orelhas, eu estava sem capacete, não era obrigatório.

Os objetos passantes eram os pés da simpática moça que estava na minha garupa. Ela se estatelou de costas no asfalto. Felizmente não se machucou, porém me deixou abandonado dizendo que nunca mais andaria na garupa da minha moto. Perdi a companhia para a noite de sexta que começava...

 
 
 

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