Cadê a Moto?

Era carnaval. Não me lembro se de 80 ou 81. Marquei com uma turma de amigos nos encontrarmos em São Vicente, na orla de praia, próximo da Biquinha. Cheguei com a RD 350 e o pessoal ainda não havia chegado. Estacionei a moto e fui tomar uma caipirinha numa barraquinha na calçada logo em frente enquanto os aguardava.

Logo chegaram os dois amigos, para minha surpresa e alegria, trazendo três animadas novas e interessantes amigas. Continuamos, agora juntos, em mais algumas caipirinhas, na animação da noite carnavalesca.

Uma das meninas estava de carro e tinha entradas para o clube Sírio Libanês. Papo vai papo vem, aparece outro carro para todos irem ao clube e me convenceram a deixar a motocicleta estacionada ali mesmo. Coisas de empolgação, digamos, empolgação de carnaval.

Na animação da promessa de farra e da meia dúzia de três ou quatro caipirinhas, não fiz objeção. Entrei no carro e rumamos para a Av. Ana Costa, para o baile de carnaval do clube Sírio Libanês.

A festa estava boa, nós com excelentes companhias femininas, muita folia e muito chopp. Os detalhes do resto da noitada não posso contar. Não é por censura ou pudor não. É que, a partir de determinado grau etílico, minha memória apagou totalmente.

Lembro que acordei no outro dia em casa, sol a pino. Eu ainda estava vestido com a roupa que tinha saído e totalmente desnorteado. Tirei o gosto ruim da boca, preparei um nescafé e nada de me lembrar como tinha voltado para casa. Amnésia alcoólica mesmo.

Fiquei assustado quando não vi a moto na garagem! E agora? Onde andaria a RD? Procurei a chave da moto por todo canto e não achei.

Por alguns momentos fiquei religando neurônios e finalmente lembrei-me de que a tinha deixado no Gonzaguinha. Meu deus, será que a bichinha ainda estaria por lá? Pensei aflito.

Na dúvida se ainda era proprietário de uma RD 350, peguei a chave reserva, arrumei uma carona e fui o mais rápido que pude ao local do fatídico abandono.

Amigos, vocês não imaginam a minha alegria ao ver a velha amiga verdinha estacionada no mesmo local da noite anterior. Com o capacete amarrado no suporte e, pasmem, com a chave no contato ! Bons tempos, concordam?

 
 
 

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