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A Guerra da Lagosta

A praia de Redonda, no município de Icapuí, litoral leste do Ceará, tem longa tradição na pesca artesanal da lagosta e de cumprir as normas para captura do crustáceo, onde é proibido o uso de rêdes de arrasto, compressores para mergulho, marambaias, etc. A única armadilha permitida é o manzuá, que permite a fuga das lagostas pequenas.

Aproveitei o final de semana 14 e 15 de novembro para inaugurar a minha nova motocicleta, uma V-Strom 650, na estrada. Gostei muito do desempenho da moto na estrada. Mesmo amaciando e sem poder ultrapassar os 5 mil giros no motor, deu para rodar tranquilamente a 110km/h com segurança. Na volta, na noite de domingo, surpreendeu-me a eficiencia dos faróis. O consumo de gasolina foi de 21 km por litro.

Em Redonda presenciei uma batalha da denominada "Guerra da Lagosta", conflito em que os pescadores de Redonda, diante da omissão do Poder Público na fiscalização e repressão à pesca predatória, assumiram o Poder de Polícia e apreenderam uma embarcação que, disfarçada como pescadora de peixes ornamentais, fazia pesca ilegal da lagosta.

Em alto mar os "redondeiros" apreenderam o barco a motor de cerca de 10 toneladas, despacharam sua tripulação em uma outra praia e encalharam o barco nas areias de Redonda.

Logo toda a comunidade estava na praia com cordas, tábuas e muitas, muitas mãos para puxar o barco até a rua que fica paralela à praia. Já existem oito barcos apreendidos na mesma situação. Dificilmente voltarão ao mar.

Ao saber da ocorrência, dirigi-me ao local levando minha máquina fotográfica. Quando me aproximava, um amigo pescador alertou-me para não fotografar, pois já havia tido apreensão de equipamento em outra situação semelhante. Tirei o pára-sol da Sony H-10 para torná-la mais discreta, misturei-me com a comunidade e arrumei um lugar nas cordas para ajudar na operação de puxar o barco. Enquanto minhas mãos ardiam no esforço, fui cumprimentando e sendo cumprimentado pelos pescadores – conhecia muitos deles.

Como já havia presenteado muitos deles com fotos que tenho feito daquela gente, inclusive com algumas enviadas pelo Eriberto, fui autorizado a fotografar o evento o quanto desejasse. Os únicos registros de imagens daquele dia são meus. Todos os jornais locais noticiaram o conflito, nenhum com fotos.

Há exaltação de ânimos. Urge que o Estado intervenha antes que esta guerra passe a contar, além de feridos, mortos.

(Fotos na Galeria Correspondente)

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