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Viagem de Férias - Janeiro de 2009

Viagem de F√©rias ¬Ė Jan 2009


Caros Amigos,

Como creio saberem, nestas férias, terminei por viajar de carro - uma "rural" L-200. Foi interessante porque rodei trechos em que teria muita dificuldade em passar, mesmo com a XT660, com garupa e bagagem - sozinho teria sido diversão!. Porém, viajando de rural, fiquei muito menos prolixo, sem aquela veia para escrevinhar um relato de viagem detalhoso como de costume.

Farei um resumo, abaixo, por imaginar que possa ser do interesse de vocês para caso um dia fazer passeio semelhante.

Evidente que n√£o serei "politicamente correto", direi o que gostei e o que n√£o gostei dando nome aos porcos.

Saímos de Fortaleza na manhã do dia 06/01 e, sem nenhuma parada fomos dormir em Baia Formosa, RN (pousada cujo nome não lembro a R$90,00). Nossa idéia era evitar cidades grandes. Baia Formosa é um lugar muito bonito, merece ser visitada, entretanto não há muita estrutura para fazer com que o viajante queira passar mais de um dia no lugar. A propósito, toda estrutura de pousadas e restaurantes são iniciativas de gente de fora. Pareceu-me que o povo do lugar não quer saber do "batente".

Zarpamos no dia seguinte para Japaratinga, AL, onde j√° se encontrava o casal F√°bio e Renata, de Recife, com quem estamos combinando futura viagem ao Deserto de Atacama. A viagem tranq√ľila, passando ao largo de Recife. Neste trecho √© preciso aten√ß√£o para n√£o seguir direto pela BR-101. Deve-se ficar atento √†s placas informando Porto de Galinha e regi√£o, desta forma se segue pela estrada estadual, que vai paralela a litoral.

Japaratinga é uma cidade pequena de onde se pode fazer a base para diversos passeios, tanto em terra quanto no mar. Depois que passarmos a pior noite de todas as férias numa pousada cujo nome vinha sublinhado por um "deus é fiel" (R$110,00), nos mudamos para a pousada do Marcílio (R$55,00), um motociclista amante de fotografia além de caçador de tesouros nas horas vagas. A pousada é muito simples, porém limpa e confortável, além de ter em seu dono uma pessoa que conhece bem a região e está sempre disposto e dar dicas de passeios e praias ainda não descobertas pelo turismo de escala.

Depois de 4 dias, sa√≠mos de Japaratinga e, seguindo uma dica do Marcilio, fomos para Barra de Santo Ant√īnio e de l√°, atrav√©s de balsa, chegamos na Ilha da Cr√īa. Tirando a pequena vila na chegada da balsa, o lugar est√° praticamente intocado. Nos hospedamos no Chal√©s Costa Dourada (R$,48,00) e em seguida fomos fazer reconhecimento na Ilha. Conhecemos a praia do Carro Quebrado, do Morro, da Pedra da Cebola e Gamela.
Foram tr√™s dias de muitas caminhadas por praias onde pass√°vamos horas sem ver viva alma. O visual era magn√≠fico e ainda por cima fomos brindados por uma lua cheia fant√°stica. Ilha da Cr√īa √© lugar que desejo voltar e recomendo.

Seguimos viagem para Macei√≥. N√£o era nosso desejo entrar em cidades grandes, mas havia o Alvaro Larangeira e eu n√£o queria deixar de conhecer este Imortal, autor de dois livros sobre motociclismo e membro da Academia Brasileira de Motociclistas Escritores. Ao chegarmos na pousada GoG√≥ da Ema (R$120,00) entrei em contato com o Larangeira e fui encontr√°-lo na universidade em que trabalha e logo depois ele nos levou √† sua resid√™ncia, onde conhecemos a fam√≠lia e participamos de um lauto e divertido almo√ßo. Foi um imenso prazer ter conhecido e conversado com o Alvaro. Valeu a pena abrir exce√ß√£o entrando em Macei√≥. Ainda em Macei√≥, fomos √† praia do Gunga, que fica ao sul da cidade. Bonita praia, mas infelizmente, com a presen√ßa de muitos carros e dezenas de √īnibus de excurs√Ķes, o lugar fica lotado de gente e tocam forr√≥ e musica baiana em um volume que me incomodava. Ser√° que pensam que no Nordeste s√≥ se escuta essas porcarias?

Depois de dois dias em Maceió, começamos a retornar. Mas retornar por lugares diferentes é quase como uma nova ida, certo?

Nosso objetivo era ficar na praia de Carneiros, em Pernambuco. Foi a maior decepção da viagem. Além de ter que passar por Tamandaré, que tem imensas lombadas a cada trinta metros, a região está tomada por condomínios que impedem a acesso à praia e pior de tudo; os restaurantes de praia, cuja entrada é distante do mar, têm uma porteira onde se cobra R$50,00 para entrar. Recusei-me submeter-me a isto e segui viagem, desistindo de Carneiros e qualquer outra praia pernambucana.

Passamos por Porto de Galinha somente para mostrar o lugar √† Marta. Bobagem. O lugar est√° cada vez pior. Gente demais, metade delas querendo vender alguma coisa que n√£o quer√≠amos, tr√Ęnsito infernal com centenas de √īnibus jogando suas fuma√ßas de diesel no ar. Sequer vimos o mar. Fomos embora para Recife, onde havia amigos nos aguardando.

A propósito, ao entrarmos em Pernambuco tanto eu quanto Marta tivemos problemas com nossas tripas.... Nada contra Pernambuco no geral, Estado cheio de beleza onde tenho muitos amigos.

Chegamos no final da tarde em Recife, enfrentando seu inospitaleiro tr√Ęnsito. Conseguimos chegar ao hotel indicado pelo F√°bio, entretanto, apesar de estarmos com farta bagagem ( sem ningu√©m para ajudar), nos cobraram di√°ria antecipada. Imediatamente rasguei a ficha que havia preenchido e fomos procurar outro hotel. Com muita dificuldade conseguimos hospedagem na rua N.S. dos Navegantes, no hotel Navegantes (R$110,00). √Ä noite sa√≠mos com os amigos com os quais estamos combinando viagem ao Atacama. Nos levaram ao Biruta, um agrad√°vel boteco, onde nos divertimos conversando e nos hidratando com geladas cervas.

A parada em Recife teve dois motivos: Marta não conhecia a cidade e o papo com os amigos. Dia seguinte pegamos estrada, mas antes passamos por Olinda, que é o melhor de Recife, com pessoas muito receptivas.

De Recife fomos direto para a naturista Tambaba onde ficamos na agrad√°vel pousada Ch√°cara dos Ventos (R$60,00) e por quatro dias quase n√£o usamos roupas, conhecemos pessoas fant√°sticas e caminhamos (vestidos, claro) pela bel√≠ssima praia semi-deserta que fica entre Tambaba e Coqueirinho. S√£o cerca de 5 km de praia ornamentada com um diadema de enormes e multicoloridas fal√©sias. Recomendo este passeio. Com uma certa relut√Ęncia que logo se mostrou injustificada, conhecemos tamb√©m, na regi√£o, a ch√°cara/pousada naturista Colina dos Ventos, de um simp√°tico casal de italianos. O lugar nos deixou com saudade, pela simpatia, pelas pessoas e pela gastronomia.

Entramos em Natal apenas para sacar $$ em caixa eletr√īnico e seguimos para Maracaja√ļ. A maior atra√ß√£o de Maracaja√ļ s√£o os passeios ao Parrachos, arrecifes com muitas piscinas naturais a 7 km da costa. Como os √īnibus, digo, os catamar√£s estavam sempre lotados e a m√ļsica era daquela que tocavam no Gunga, preferimos passear a p√© pela praia. Ficamos na pousada de um italiano assim, tipo mafioso, cujo nome n√£o me recordo (R$90,00) e que servia uma massa com jeito de miojo dizendo ser coisa da It√°lia com pre√ßo correspondente. Estou ficando com saudade da minha cozinha. Um detalhe; Maracaja√ļ recebe turistas que saem de √īnibus dos hot√©is em Natal e v√£o direto para os passeios no mar. Nenhum recurso fica na pequena cidade....

Seguimos viagem, paramos em Touros, RN, para abastecer a rural e fomos na direção de São Miguel do Gostoso. Antes, seguindo a dica do frentista, fomos conhecer o Marco do KM Zero da BR-101 e o belo Farol de Touros. Do Marco Zero seguimos para a praia do Cajueiro e de lá, pela beira do mar chegamos a São Miguel do Gostoso. De cara percebemos que só estrangeiros parecem ser bem-vindos naquela cidade. A língua corrente era inglês ou italiano e quem falava português não era bem atendido. As pousadas caríssimas sem nada que justificasse tal preço (R$180,00 a R$300,00).

Como nada vimos de gostoso em São Miguel, fomos para a praia do Arraial do Marco. Por caminho tipo off road chegamos ao entardecer na pousada do Marco (R$120,00). Fomos muito bem recebidos pelo casal proprietário. Arraial do Marco deve este nome a o Marco do Descobrimento que ali foi encontrado. Consta que foi o primeiro destes marcos que Portugal fixou em Terra Brasilis. Praias desabitadas, piscinas naturais e natureza marinha intocada foi o que vimos nos passeios a pé que fizemos no Marco. Lugar que pretendo voltar.

Dia seguinte, depois de um excelente almoço na pousada prosseguimos no off road até Galinhos, um tirinha de terra que adentra o mar. Foi o trecho que a rural mostrou que não teme bicho papão. Cruzamos lamaçais e dunas altas. O que mais temi foram as dunas, pois são muito perigosas, principalmente para quem não as conhece. Acompanhamos rastros de carros ou motos na areia e num determinado momento estes rastros recuaram diante de um enorme abismo de areia. Depois conseguimos nos orientar melhor e finalmente chegamos a Galinhos, cidade cujo transporte é feito por burros puxando charretes e que deixam o lugar com cheiro característico... Ficamos na pousada da Dona Dalva (R$60,00) e, creio que pelo fato da dona não está, a recepção foi um tanto confusa. Galinhos é um lugar bonito, mas para se ir uma vez só.

No dia seguinte saímos de Galinhos pela praia de areias frouxas, mas com jeito a rural se comportou muito bem no longo caminho de areião.

Em Alto do Rodrigues a ponte que nos informaram existir está em péssimo estado de conservação. Desci do carro, examinei a estrutura, arrumei umas tábuas e conseguimos passá-la.

Seguimos viagem passando por Porto do mangue, onde compramos caranguejos diretamente do caranguejista que acabava de chegar do mangue, passamos pela outrora deserta, mas ainda bela Praia do Mel e chegamos a Areia Branca, onde embarcamos a rural numa balsa para Grossos, depois Tibau e por fim chegamos na nossa querida praia de Redonda, onde passamos o restante das férias em companhia de pescadores e seus familiares.

Vixe, ser√° que escrevinhei muito? Desculpem a falta de revis√£o, estou escrevendo direto no site. Depois, quem sabe possa melhorar ou acrescentar alguma coisa.

Inté

Luiz Almeida

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