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Passeio à Praia da Baleia

(Estreando a XT 600)

Saímos as oito e meia da manhã do sábado, dia quatro de fevereiro de 2006. O ponto de encontro foi o posto BR da avenida Bezerra de Menezes, onde tradicionalmente saímos quando vamos viajar para o litoral oeste de Estado.

Eu havia comprado uma XT 600 azul, ano 2000 no in√≠cio daquela semana. Depois de ¬ďtomar posse¬Ē da m√°quina, que para mim significa revisar toda a motocicleta, trocando fluidos, filtros e fazendo uma lubrifica√ß√£o geral e reapertos, n√£o escondia a ansiedade em experimentar aquele famoso propulsor com 200cc e 15hp a mais do que a Falcon, que me serviu muito bem durante quase seis anos.

Eu e Marta chegamos no posto pontualmente as sete e cinq√ľenta. Logo depois chegaram o Rui e a Flavinha montados na bel√≠ssima V-Strom amarela. Calibramos pneus e vi que o calibrador chin√™s que eu havia comprado no dia anterior era uma porcaria mesmo. Enquanto o calibrador do posto mostrava 26 libras, a porcaria chinesa mostrava 38 libras.

Entramos na estrada. Vento a favor e nuvens esparsas à frente. Nuvens esparsas, porém escuras. A pista molhada depois de Caucaia e algumas gotas na viseira informavam que poderíamos encontrar chuva à frente.

Sem olhar para o velocímetro, em quinta marcha, procurei encontrar uma velocidade adequada para a moto que eu estava estreando. Quando naturalmente senti que a tocada estava boa e estável, com o motor ronronando, mas mostrando força, olhei para o velocímetro que mostrava 110km por hora a 4.200 giros. Depois andei na faixa dos 120 e a XT continuou mostrando a mesma disposição com o contagiros marcando 4800rpm.

Bem, eu falei em motor ronronando, mas no momento era só uma figura de linguagem, pois uivo do maldito (escapamento) Coyote instalado na moto não nos deixava ouvir nada. Passando ao longe, pode até ser legal (ouvir por alguns segundos) o ruído de um escapamento destes. Viajando com um ronco desses troando nas oiças por muita horas é horrível. Prioridade Um para a XT: colocar um escapamento original na moto.

Passando por Paracuru, cerca de 100km de viagem, o c√©u desabou em cima de n√≥s. Foram uns dez minutos de chuva forte. Mantivemos o ritmo mesmo assim, a estrada estava em bom estado e quase sem movimento. Chegamos a uma localidade pr√≥xima a Paraipaba para o caf√© da manh√£ bem molhados. Como Motociclista √© superior ao tempo, estendemos nossas jaquetas e luvas sobre as motos e fomos forrar o est√īmago.

Assim que estacionamos para o caf√©, a dona do estabelecimento correu para a moto do Rui cheia de admira√ß√£o. Ao lado de uma V-Strom, √© dif√≠cil outra motocicleta se destacar. Enquanto ela admirava a V-Strom eu falei, brincando, que o Rui trabalhava de moto taxista com ela. Lembrem-se a moto dele √© amarela tal qual as motot√°xis. A mulher arregalou os olhos e perguntou ao Rui se n√£o era perigoso. O Rui, que entrou na brincadeira, respondeu que, por causa disso, n√£o trabalhava √† noite com a moto. A cr√©dula mulher ainda insistiu perguntando se ele n√£o cobraria mais caro para levar passageiros naquela ¬ďmotona¬Ē. Come√ßamos a rir e a simp√°tica senhora percebeu a brincadeira e saiu reclamando por eu t√™-la feito pagar um mico daqueles.

Era apenas nove e meia da manhã. O prato do Rui era assustador: Cuscuz, carneiro, porco, batatas doces e cerveja. Eita cabra bruto! Numa hora dessa eu fico apenas com o frugal café com leite, ovos fritos e pão.

Seguimos viagem. Com pouco tempo de estrada, mais uma vez muita água foi despejada dos céus sobre nossas cabeças. Para o cearense tempo bom é tempo de chuva. Céu bonito é aquele nublado, cheio de nuvens de chuva. Passamos por dois postos e não paramos para abastecer. A Baleia era logo ali e abasteceríamos por lá.

Depois desta √ļltima chuvarada, √† nossa frente o c√©u limpou e n√£o restou mais nenhum sinal de chuva. Prosseguimos com a estrada e a regi√£o em volta completamente seca. Chuvas esparsas neste per√≠odo no Cear√° pode ser sinal de que n√£o teremos um ¬ďinverno¬Ē bom, podendo haver mais adiante o velho e insol√ļvel flagelo da seca que tanta dor tr√°s ao nosso j√° sofrido sertanejo.

Na localidade de Barrento, h√° o √ļltimo trevo da rodovia CE 085 - Estruturante. Entramos √† direita em dire√ß√£o ao mar, √† praia da Baleia. O vento, que at√© ent√£o estava a favor, tornou-se lateral. Coqueirais curvavam-se diante da for√ßa da ventania. Entre Barrento e Baleia a estrada √© uma belezinha, asfalto bom, bem sinalizado e com muitas curvas. O problema foi a instabilidade da XT ao enfrentar forte vento lateral. Creio que o problema √© causado pelo p√°ra-lama dianteiro alto, pois a Falcon, com praticamente a mesma cicl√≠stica, tendo p√°ra-lama dianteiro rente √† roda n√£o apresentava esta instabilidade em situa√ß√Ķes semelhantes.

Com o od√īmetro parcial mostrando 180km e o sol mostrando ser perto de meio dia, chegamos √° Baleia. Passamos pela pequena vila que agora existe na localidade e fomos direto para a praia. A mar√© estava baixa e havia uma larga faixa de areia firme antes do mar.

Eu não visitava a praia da Baleia desde 1985. Felizmente a praia ainda não foi descaracterizada. Há muito mais casas e pousadas, mas não percebi devastação ou estrangeirização com em canoa Quebrada e Jericoacoara. Não é mais aquela praia semi-deserta de 85, quando o acesso era muito difícil e viviam ali apenas famílias de pescadores e quem a visitasse encontraria apenas uma pousada, a pousada da Baleia, a mesma que fizemos reservas para este final de semana. Enfim, ainda é uma vila de pescadores visitada esporadicamente nos finais de semana por turistas de Fortaleza, Itapipoca, Sobral e de outros municípios do interior do Ceará.

Com as motos na areia da praia, ficamos indecisos sobre que direção tomar para encontrar a pousada. Concluímos que era para esquerda e tomamos esta direção. A XT andando na areia naturalmente e o Rui tocando a V-Strom com mais cautela.

Numa curva da praia, antes de chegarmos na pousada havia um barraco de palha com fogareiro de lata e um isopor. Parei a moto e perguntei:

- Tem cerveja gelada?

- Tem n√£o, mas eu vou buscar. Respondeu-me o cidad√£o que me pareceu ser o dono da barraca.

- Ent√£o volte ligeiro que estamos com muita sede. Eu disse desligando a XT e providenciando uma quenga para apoiar o descanso da moto.


O camarada que nos recebeu era realmente o dono do lugar, o Nataliano, conhecido por Natal. Nos abancamos nos tamboretes existentes e logo chegaram as latinhas de cerveja. Havia à nossa disposição um caldinho de feijão com toucinho que a Marta logo atacou. Também havia farinha grossa e peixes frescos, que o Natal começou a grelhar no fogareiro à lenha feito a partir de barro e uma lata de 18 litros.

Providenciaram gelo para o whisky do Rui e começamos a conversar com o pessoal que estava na palhoça. Eram além do Natal, um camarada baixinho e calado que mal se lembrava do próprio nome, pois era conhecido desde criança como Neguinho, que por sinal, usava a camiseta de campanha para deputado federal do meu ex-cunhado e amigo André Figueiredo. Havia também um outro pescador cujo nome não lembro e que contava com olhos a brilhar como era a vida de pescador naqueles mares e as variedades de peixes que pescava. No fundo da barraca, deitadas numa rede, as filhas pequenas do Natal observavam o movimento.

Cerca de duas horas depois, muita conversa e meia d√ļzia de latinhas de cerveja e refrigerante vazias, al√©m dos diversos esqueletos de peixe, resolvemos ir para a pousada tirar a tralha das motocicletas e trocarmos nossas roupas, ainda √ļmidas das chuvas que pegamos, por outras mais adequadas. Detalhe; o Natal n√£o permitiu que pag√°ssemos os peixes que consumimos. O camarada sabe conquistar fregueses. O Neguinho que, orgulhoso, havia nos preparado uma segunda rodada de peixes e que n√£o o v√≠amos bebendo, j√° parecia bem ¬ďgolado¬Ē quando sa√≠mos.

A Pousada da Baleia ainda est√° muito parecida com o que era vinte anos atr√°s. Agora tem uma piscina e mais apartamentos.

Com roupas mais leves e de chinelos, fomos passear com as motos pelas praias. Primeiro fomos rumo ao oeste, aonde vimos belas e dispersas casas de praia, muitas dunas e uma grande casa de veraneio insolentemente construída no alto de uma duna.

Depois voltamos para o leste e fomos curtindo a vis√£o dos coqueirais at√© quase a barra do Munda√ļ. √Č muito gostoso passear devagar por praias desertas, curtindo o vento, o mar, uma jangada aqui outra ali e a paisagem que vai mudando a cada contorno do litoral.

Sendo a XT 600 uma moto feita para andar na areia e em outros terrenos acidentados, não tenho o que falar do seu desempenho. Foi normal, tal como estava acostumado com a Falcon e outras tantas motos do tipo trail que tive, com a diferença de que esta tem um motor mais forte, mas que num passeio assim, não é necessário requerer tal cavalaria. Só o ronco daquele coyote continuava me perseguindo e incomodando.

Sobre a V-Strom, notei que o Rui n√£o teve dificuldade em conduzi-la pela areia. Mesmo com o peso desta moto requerendo muita cautela, ela passou bem por pequenos riachos e outros pequenos obst√°culos normais em beira de praia. Bem, o cabra j√° foi trilheiro e essas coisas a gente n√£o esquece.

A idéia era voltar para a palhoça do Natal, mas antes de chegarmos lá a Marta, que queria comer caranguejos, pediu para paramos em outro local, com estrutura melhor onde serviam os tais crustáceos que ela costuma devorar como uma leoa faminta.

Cerveja para mim e Flavinha, whisky para o Rui, √°gua de coco para a Marta. Camar√Ķes no alho e √≥leo e caranguejos para todos. Motos ao lado e marz√£o √° frente. Eita vidinha marromenos!

Como a noite já ia chegando, resolvemos então ir para a pousada, tomar um banho para logo em seguida almoçar/jantar uma tradicional peixada cearense num restaurante à beira da praia que consultamos previamente.

Enquanto ¬ďalmojant√°vamos¬Ē, pedimos a um garoto/gar√ßom do restaurante que jogasse √°guas nas nossas motos. Logo apareceu uma mangueira e farto jorro de √°gua doce. A ferrugem √© implac√°vel para quem descuida da moto ao passear por praias.

Quando voltamos para a pousada, repetimos a operação de jogar água nas motos, pois tivemos que rodar mais um pouco na areia. Desta vez, após a água, gastei um tubo de óleo spray nas duas motocicletas. Pronto, agora as mocinhas estavam protegidas para passarem a noite.

Depois sentamos para jogar conversa fora em frente a nossos apartamentos. Marta apareceu com queijos, presunto, azeitonas pretas temperadas e outros tira-gostos que ela trouxe de casa. Agora entendi porque o bauleto da XT estava t√£o pesado !

Por volta da meia noite, cansados e golados fomos dormir.

Acordei cedo, como sempre. Fui filar um cafezinho na cozinha da pousada e depois, pitando um cigarrinho, fiz uma caminhada pela praia. A p√© a gente v√™ mais coisas. Notei que o mar est√° derrubando algumas casas e muros. Entre o casario da orla e o mar, nas grandes mar√©s de lua, n√£o h√° mais faixa de areia alta e as ondas chegam aos barrancos e aos muros de prote√ß√£o. Tenho observado o mesmo fen√īmeno em outras praias. Nada √© para sempre no nosso planetinha...

Meia hora depois, voltei para a pousada, dei algumas braçadas na piscina e fui cuidar de lubrificar a corrente de transmissão da XT. Como o óleo spray havia acabado na proteção geral das motos, não deu para proteger bem a corrente. Tanto a da XT como a da V-Strom mostrava vestígios de ferrugem. Estavam limpas, porém com aquele horrível amarelado de oxidação em alguns pontos.

Com ajuda do Rui, que havia acordado, lubrifiquei a corrente da XT e logo depois fiz a mesma coisa na corrente da V-Strom. Com um pincel passei a gororoba que preparei com óleo de motor, graxa de junta homocinética e grafite. Ficaram ótimas.

Durante o café da manhã (o Rui e a Flávia devem ter sentido falta de um carneiro ou porco guisado com farofa de cuscuz) resolvemos sair cedo e pegar estrada de volta, já que a maré estava enchendo. Combinamos entrar na praia da Lagoinha para almoçarmos no Full Xico, restaurante do nosso amigo Sampaio, naquela praia.

Por volta das onze horas, quando finalmente nossa bagagem estava nas motos, a conta da pousada paga e estávamos de saída, um garoto de oito anos, cujo pai estava hospedado na nossa mesma pousada, que andava numa mini moto do tipo trail, com motor a quatro tempos parecendo uma miniatura da minha XT, pediu para nos acompanhar.

Ainda havia uma estreita faixa de areia que permitiu que n√≥s cheg√°ssemos na sa√≠da da praia sem que tiv√©ssemos que colocar as motocicletas na √°gua salgada. Neste percurso, a XT come√ßou a falhar, virei a torneira de gasolina para a reserva e quando chegamos na vila, fui procurar gasolina. O od√īmetro parcial marcava 207 km.

- Gasolina? - Ali tem, alguém informou.

Chegamos no local e n√£o ali tinha mais gasolina.

- Gasolina? - Não tem ali? Então lacolá tem, outro alguém informou.

Chegamos no tal lacol√° e n√£o tinha gasolina.

- Vixe Maria, não tem gasolina nem ali e nem lacolá? Então siga na estrada que na Lagoa do Mato deve ter, mais outro alguém informou.

Pronto, a XT na reserva, eu sem id√©ia do consumo da moto e n√£o havia gasolina na Baleia. Fui negligente ao n√£o ter abastecido no √ļltimo posto que vimos antes da Baleia. Sem conhecer o consumo da moto, esperei que houvesse algum posto de abastecimento na baleia. N√£o havia. O que h√° s√£o revendedores clandestinos de combust√≠vel ¬Ė e mesmo assim, desabastecidos naquele domingo.

O garotinho da mini moto ainda nos acompanhava naquele périplo todo. Temendo que ele entrasse na estrada junto conosco, paramos para nos despedir dele.

A V-Strom, com aquele imenso tanque de 22 litros n√£o tinha problema. Pegamos estrada passando por entre branqu√≠ssimas dunas e coqueirais. O vento lateral continuava forte e eu tocava a XT a oitentinha por hora ¬Ė n√£o tinha id√©ia do quanto teria que rodar para encontrar gasolina. N√£o rodamos mais do que 10km e parei num bar de beira de estrada onde se informava haver um lava moto: - Tem gasolina? - TEM! Respondeu-me uma mo√ßa. Pronto, resolvido o problema!

Quer dizer... Será que a tal gasolina não daria problema? Fiz para moça a pergunta que sempre faço quando tenho que abastecer em postos, digamos, suspeitos:

- Esta gasolina é pagã ou batizada?

- √Č claro que √© batizada meu senhor, aqui somos filhos de deus. Esta foi a resposta da mo√ßa, que me deixou ainda mais preocupado!

Estacionamos. Tocava m√ļsica bregu√≠ssima e Rui pediu uma cerveja. Tava no gosto do cabra; Waldik Soriano e companhia. A mo√ßa abasteceu a XT com 4 litros de uma n√£o muito confi√°vel gasolina escura, n√£o dava para definir se verde ou azul, tirada de duas garrafas pl√°sticas de refrigerante a R$3,25 o litro. Terminamos uma segunda cerveja, pagamos a conta e seguimos a nossa viagem.

A XT não refugou a gasolina suspeita. Rodávamos na faixa dos 100km por hora quando, numa curva, uma lufada de vento fez a XT balançar perigosamente. Mantive o controle, mas dali para frente comecei a reduzir mais a velocidade na entrada das curvas.

A ¬ďmuleta¬Ē dos 4 litros de gasolina clandestina funcionou. Chegamos no posto perto do trevo de Trair√≠ sem a XT entrar na reserva. Entretanto, a luz de reserva da V-Strom j√° estava come√ßando a piscar. Minha moto pegou 11,36 litros, que somados ao 4 litros emergenciais de garrafa e uma quilometragem de 269,5km perfaz 17,55 km por litro. Um consumo at√© razo√°vel para uma 600.

No restaurante conjugado ao posto, fomos tomar mais uma cervejinha enquanto a Marta ligava para o Sampaio, para que ele providenciasse a parte ¬ďgourmet¬Ē do nosso passeio. Quer√≠amos almo√ßar um Cabrito Coiceiro, prato especial que o Sampaio nos apresentou certa vez. N√£o foi poss√≠vel, a encomenda teria que ser feita com mais anteced√™ncia. Ficar√≠amos ent√£o satisfeitos com os tradicionalmente saborosos badejos e fil√©s.

Enquanto enxugávamos a cerveja, Marta desapareceu. Foi encontrada no alto de um pé de siriguela, colhendo todos os frutos maduros que encontrava. A colheita foi consumida lá mesmo.

Vento forte de proa. Assim foi toda a viagem de volta.

Chegamos na lagoinha e Flávia sugeriu que fossemos conhecer uma pousada de angolanos/portugueses que ela conhecia. Fomos muito bem recebidos pelo casal proprietário e, junto com eles. Tendo como pano de fundo a magnífica vista do alto da bela praia da Lagoinha, tomamos algumas cervejas regadas a uma internacionalmente boa e bem humorada conversa. A pousada é muito bem decorada com objetos da terra e além da vista, nota-se bom gosto em cada detalhe. Ficamos de voltar levando junto outros amigos motociclistas para um final de semana lá.

O Full Xico √© um restaurante r√ļstico e sem vista para o mar. A decora√ß√£o √© toda feita por artes√Ķes locais e seu dono, o Sampaio, √© quem cuida da cozinha. Isto compensa qualquer luxo e localiza√ß√£o. Ele nos recebeu com a simpatia de sempre, indicou-nos uma mesa bem ventilada e eu pedi que, j√° que n√£o daria para sair o tal Cabrito Coiceiro, que ele preparasse para mim e Marta um fil√©t mignon com o mesmo molho de vinho, ervas, figo em calda, etc. Flavinha e Rui pediram fil√©t de badejo na chapa.

Depois dos prazeres da mesa, antes que batesse o sono, tomamos café e voltamos para estrada. Havia apenas 120km à nossa frente.

Nesta etapa, o Rui se adiantou mais à frente e eu o perdi de vista. Tudo bem, assim eu tocaria no meu ritmo com aquele vento de proa que certamente não fazia tanto mal à V-Strom. Depois Rui me disse que acelerou mais forte para não sentir sono.

Quando contornava o trevo do Pecém, senti a moto balançar de forma estranha. Pneu dianteiro furado, reparei logo. Rodei desta forma por uns 100 metros e parei num bar/mercearia, à esquerda da estrada. Perguntei a dois cidadãos que estavam numa mesa se havia borracheiro por perto. Só no Garrote, cerca de 10km à frente, fui informado. Mas eles conseguiram uma bomba, dessas de bicicleta e, contando até com a ajuda de outro cidadão que havia acabado de estacionar com uma Hilux do ano, encheram o pneu da XT sem minha ajuda e a pressão se sustentou. Com esperança de chegar no Garrote e sai agradecendo a ajuda. Este mundo está cheio de gente boa que não se nega a ajudar um desconhecido. Pena que os cafajestes se destaquem mais.

Cheguei tranq√ľilo ao borracheiro do garrote. Ainda havia uma boa press√£o no pneu. Pedi ao camarada que calibrasse com 25 libras e aguardei alguns minutos. Ao conferir a press√£o, verifiquei que a c√Ęmara mantinha as 25 libras colocadas. Resolvi ent√£o seguir para Fortaleza. Faltavam menos de 30 km e presumi que daria para chegar em casa. Eu, que sempre viajo levando Tyre-Pando, desta vez esqueci exatamente quando precisei.

A Marta comentou comigo que o Rui estava viajando tal qual alguns conhecidos nossos, andando na frente sem se importar com quem vem atrás. Errou! Assim que voltamos para o asfalto vimos o farol duplo da V-Strom voltando para ver o que tinha nos acontecido. Parei no acostamento e expliquei-lhe a situação do pneu.

Chegamos juntos em Fortaleza. O pneu dianteiro da XT continuava firme e forte. Despedimo-nos de mais um excelente passeio e cada um pegou o rumo de casa.

Ao estacionar na garagem do meu pr√©dio, antes mesmo de tirar a bagagem, peguei o Tyre-Pando que fica na mala da Shadow e o descarreguei na c√Ęmara de ar da XT. Desta forma, na manh√£ de segunda feira, tive pneu para ir at√© a loja do Lourinho dos Aros colocar uma c√Ęmara nova.

O consumo da XT 600 nesta segunda parte da viagem foi mais alto; 14,65 km por litro. Tudo bem, o retorno foi com vento de proa e com velocidade na faixa dos 100km por hora. Creio que pode melhorar com limpeza e ajustes na carburação, afinal, a Shadow com a mesma cilindrada e muito mais peso nunca consumiu abaixo de 18 km por litro, ficando quase sempre acima dos 20km/l. Mas isso já é outra história... E outra motocicleta.

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